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Março 2026
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O custo da assistência à saúde segue uma dinâmica própria, distinta da inflação geral da economia. Enquanto indicadores inflacionários como o IPCA capturam a variação média de preços de um conjunto de itens em determinada localização geográfica, o setor de saúde suplementar é impactado por um conjunto mais amplo de fatores — que inclui não apenas preços, mas também o volume de utilização dos serviços e a incorporação de novas tecnologias.

 

Para entender essa dinâmica, o VCMH (Variação do Custo Médico-Hospitalar) se consolida como uma das principais referências para acompanhar a evolução das despesas com planos de saúde e apoiar uma gestão mais qualificada desse benefício nas empresas.

 

Produzido para o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) pela WTW, o VCMH/IESS mede a variação do custo por beneficiário ao longo de 12 meses, considerando uma carteira de pouco mais de 1 milhão de vidas. A edição mais recente, de janeiro de 2026, analisa o período encerrado em junho de 2025 em comparação com os 12 meses anteriores. O IESS disponibiliza esse relatório a um custo módico, de R$ 100, apenas para obter recursos para financiar a produção. Clique aqui para adquirir.

 

A metodologia utilizada é reconhecida internacionalmente e aplicada na construção de indicadores de custo per capita em saúde em mercados maduros, como os Estados Unidos, a exemplo do S&P Healthcare Economic Composite e do Milliman Medical Index.

 

O VCMH é mais do que um índice: ele oferece uma leitura estruturada sobre como evoluem as despesas com saúde. Permite observar o comportamento de componentes como internações, exames, consultas e terapias, além de capturar o impacto combinado de fatores como frequência de uso, complexidade dos procedimentos e incorporação tecnológica.

 

Na prática, nem sempre é viável para uma empresa apurar o seu próprio VCMH. Em muitos casos, o tamanho da carteira — especialmente o número de colaboradores e dependentes — não permite uma base estatística robusta. Soma-se a isso a complexidade operacional e os custos envolvidos na integração de dados com operadoras e demais atores do ecossistema de saúde.

 

O VCMH/IESS se consolida, nesse contexto, como a principal referência de mercado para acompanhamento da variação dos gastos em saúde, oferecendo um parâmetro técnico consistente para empresas que precisam compreender a dinâmica do setor.

 

Para as empresas, essas informações têm aplicação direta.

 

Na área de Recursos Humanos e Gestão de Pessoas, o plano de saúde ocupa um papel central na estratégia de benefícios. Acompanhar o VCMH contribui para dar mais previsibilidade às discussões de reajuste, qualificar o diálogo com operadoras e corretoras e embasar decisões relacionadas à estrutura do benefício.

 

O indicador funciona, sob a ótica financeira, como um importante instrumento de planejamento. A evolução dessas despesas influencia diretamente o orçamento corporativo e exige uma leitura que vá além de variações pontuais. O VCMH permite acompanhar tendências e apoiar uma visão mais consistente de médio e longo prazo.

 

Além das empresas, o indicador também é amplamente utilizado por operadoras de planos de saúde, especialmente as de menor porte, como referência para avaliar e balizar o comportamento de seus custos em relação ao mercado.

 

Outro aspecto relevante é que o crescimento dessas despesas não está associado apenas a aumentos de preços. Ele reflete mudanças estruturais no padrão de utilização da saúde — como maior acesso a serviços, envelhecimento da população e avanço tecnológico. Compreender essa dinâmica é fundamental para orientar estratégias de gestão de saúde corporativa e promover o uso mais adequado dos recursos.

 

O acompanhamento sistemático do VCMH, nesse cenário, se apresenta como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão. Ele contribui para ampliar a compreensão sobre a dinâmica dos gastos, reduzir incertezas e alinhar a gestão do benefício à realidade do setor.

Março 2026
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A recente decisão da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que analisou a limitação do número de sessões de terapias multidisciplinares para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), abre uma oportunidade para o reposicionamento do foco no debate em torno desse tema. O assunto é sensível e, exatamente por isso, exige abordagem científica.

 

Temos uma contribuição para essa análise. No nosso estudo “Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Saúde Suplementar”, desenvolvido em parceria com a Genial Care, rede de clínicas especializada nesse tema, demonstramos que o principal desafio do cuidado em TEA não está na definição de um número de sessões, mas na forma como as intervenções são estruturadas, indicadas e avaliadas.

 

As evidências disponíveis indicam que não há relação direta entre maior quantidade de sessões de terapia e melhores desfechos clínicos. Intervenções intensivas podem ser necessárias em determinados casos, mas sua definição deve ser individualizada, baseada em critérios clínicos e orientada por práticas com comprovação científica.

 

O estudo também identifica problemas estruturais relevantes: a ausência de padronização no uso de práticas baseadas em evidências, a coexistência de abordagens com diferentes níveis de validação, a limitação de mecanismos de avaliação de resultados e a escassez de profissionais qualificados em áreas essenciais do cuidado multidisciplinar.

 

Nesse contexto, a eliminação de limites quantitativos dá a impressão de ampliar o acesso, mas não enfrenta os pontos centrais. Nosso estudo indica que o enfrentamento do tema exige uma mudança de foco: do volume de sessões para a qualidade e a efetividade do cuidado.

 

Isso envolve, em primeiro lugar, fortalecer o uso de práticas baseadas em evidências, reduzindo a adoção de intervenções sem comprovação científica. Em paralelo, é necessário avançar na individualização das terapias, evitando modelos padronizados que desconsideram as necessidades específicas de cada paciente.

 

Outro ponto central é o desenvolvimento de métricas consistentes de acompanhamento, que permitam avaliar resultados ao longo do tempo e orientar ajustes nas intervenções.

 

Sem esse monitoramento, aumentar a quantidade de sessões não necessariamente se traduzirá em ganho clínico.

 

O estudo também evidencia a necessidade de qualificar a formação e a distribuição de profissionais, especialmente em áreas como terapia ocupacional e fonoaudiologia, e de revisar modelos de remuneração que hoje podem incentivar o volume de sessões em detrimento da qualidade e dos resultados.

 

A decisão do STJ reforça o direito ao acesso ao tratamento. O desafio que se coloca, a partir dela, é estruturar um modelo assistencial que seja capaz de transformar esse acesso em cuidado efetivo, baseado em evidência e sustentável no longo prazo.

Março 2026
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Quando se observam conjuntamente os dados da pesquisa Vox Populi / IESS e do nosso TD 113 (A saúde odontológica suplementar no Brasil: perfil dos contratantes de planos odontológicos em 2024), emerge uma constatação relevante: o plano odontológico tornou-se um dos exemplos mais consistentes de alinhamento entre expectativa do trabalhador e estratégia das empresas na concessão de benefícios.

 

A pesquisa Vox Populi / IESS 2025 mostra que os planos exclusivamente odontológicos alcançam elevados níveis de satisfação (87%), recomendação (88%) e intenção de permanência (90%). Esses indicadores não apenas expressam aprovação; revelam valor percebido.

 

O plano odontológico é associado a segurança, acesso quando necessário e percepção de melhor qualidade de atendimento (TD 113). Em outras palavras, trata-se de um benefício de uso recorrente, com utilidade concreta e tangível no cotidiano.

 

A leitura da Vox Populi ganha ainda mais sentido quando confrontada com os dados estruturais apresentados no nosso estudo. O Brasil registrou 33,6 milhões de beneficiários em planos exclusivamente odontológicos, dos quais 23,9 milhões — ou 71% — estavam vinculados a contratos coletivos empresariais. Isso significa que o principal canal de acesso ao plano odontológico é o ambiente de trabalho formal – assim como acontece com toda a estrutura da saúde suplementar no País.

 

O mesmo estudo mostra que, em média, havia 29,4 titulares para cada 100 empregos formais e 52,4 beneficiários totais — incluindo dependentes — para cada 100 empregos. Ou seja, o benefício não se limita ao trabalhador, mas frequentemente se estende aos familiares, ampliando seu alcance social.

 

Estrutura empresarial e lógica de mercado

 

O TD 113 revela ainda um aspecto estrutural importante. Em 2024, mais de 1,1 milhão de empresas contrataram planos odontológicos coletivos empresariais. A base contratante é amplamente pulverizada: mais de 92% das empresas possuem até 19 vínculos. No entanto, a maior parte das vidas está concentrada em grandes corporações. Empresas com mil vínculos ou mais representam apenas 0,2% dos contratantes, mas concentram 39% dos beneficiários, cerca de 9,5 milhões de pessoas.

 

Essa combinação de capilaridade e concentração ajuda a explicar a solidez do setor. Pequenas e médias empresas garantem disseminação do benefício, enquanto grandes corporações sustentam escala e densidade de cobertura. O resultado é um mercado empresarial robusto, com presença em praticamente todos os ramos de atividade econômica, ainda que mais concentrado em setores de maior formalização do trabalho.

 

O crescimento da odontologia suplementar no Brasil, portanto, não decorre apenas da oferta empresarial nem apenas da demanda individual. Ele resulta do encontro entre valorização expressa pelos beneficiários e incorporação estratégica do benefício pelas empresas.

Fevereiro 2026
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O atendimento virtual em saúde, acelerado durante a pandemia de Covid-19, deixou marcas duradouras nos hábitos de acesso dos beneficiários de planos de saúde. Dados da pesquisa Vox Populi / IESS indicam que, atualmente, 48% dos beneficiários afirmam que seus planos de saúde oferecem algum tipo de atendimento remoto. Ao mesmo tempo, 36% dizem que seus planos não disponibilizam esse serviço e 15,9% não sabem informar, sugerindo que a consolidação do atendimento virtual convive com diferentes níveis de conhecimento e percepção por parte dos usuários.

 

Entre os beneficiários que dizem contar com atendimento virtual, observa-se a presença de diversas modalidades, com níveis distintos de utilização. As consultas médicas por vídeo são o serviço mais utilizado, alcançando 40% dos entrevistados, seguidas pela avaliação para emissão de receitas ou pedidos de exames pela internet (28%) e pelas consultas com psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas ou outros profissionais de saúde (26%).

 

Modalidades como o atendimento de urgência virtual e o acompanhamento de tratamento ou retorno por videochamada, embora disponíveis, registram percentuais de uso mais reduzidos, com 15% e 14% dos beneficiários, respectivamente, informando já ter utilizado esses serviços.

 

A pesquisa também revela que uma parcela considerável dos beneficiários tem acesso aos serviços virtuais, mas ainda não os utiliza. Em praticamente todas as modalidades analisadas, os percentuais de entrevistados que afirmam que o plano oferece o atendimento, mas que nunca fizeram uso, são relevantes. Esse dado indica que a incorporação do atendimento virtual ao cotidiano assistencial ainda ocorre de forma gradual, mesmo após a ampla difusão dessas ferramentas no período pandêmico.

 

Esse conjunto de informações evidencia uma oportunidade relevante para o sistema de saúde suplementar avaliar como aprimorar a comunicação com sua base de beneficiários. O uso adequado do atendimento remoto tende a trazer agilidade e conforto ao paciente, contribuindo para reduzir dificuldades de agendamento e a busca por atendimento hospitalar em situações que poderiam ser resolvidas por meios virtuais.

 

Além disso, ao evitar deslocamentos desnecessários, especialmente para prontos-socorros e serviços de pronto atendimento, o atendimento virtual pode contribuir para reduzir a exposição dos pacientes a ambientes com maior risco de contaminação. Cada situação clínica deve ser avaliada individualmente, mas os dados reforçam a importância de o beneficiário conhecer a existência desses serviços e compreender como utilizá-los de forma adequada.

 

Entre os beneficiários que já utilizaram o atendimento virtual, os níveis de satisfação são elevados em todas as modalidades avaliadas. A avaliação para emissão de receitas ou pedidos de exames pela internet apresenta 96% de satisfação, seguida pela orientação virtual para casos suspeitos de Covid, dengue ou outras condições específicas (95%) e pelo acompanhamento de tratamento ou retorno por videochamada (94%). Esses resultados sugerem que a experiência do usuário tende a ser positiva quando há efetiva utilização dos serviços digitais.

 

De forma geral, os dados da pesquisa indicam que o atendimento virtual permanece como um componente relevante do modelo assistencial pós-pandemia, com ampla aceitação entre os usuários que o utilizam e com espaço para maior difusão e integração às rotinas de cuidado na saúde suplementar. Mas fica claro que há espaço para crescer.

Janeiro 2026
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O debate sobre a criação de planos de saúde com cobertura restrita a consultas e exames permaneceu interditado nos últimos anos. Em 2025, foi registrado recorde de beneficiários de planos médico-hospitalares e, ao mesmo tempo, a expansão dos chamados “cartões de desconto” na área da saúde chegou ao ponto de esse segmento passar a ser regulado pela ANS, conforme decisão do STJ – ainda que o produto não seja um plano de saúde. Diante dessas circunstâncias, talvez o momento seja propício para a retomada do debate sobre a diversificação de produtos da saúde suplementar.

 

A pesquisa Vox Populi / IESS traz um sinal claro de abertura para novos modelos de oferta desses produtos: 38% dos não beneficiários afirmam que fariam adesão a um plano de saúde mais barato, com cobertura restrita a consultas e exames, sem cirurgias e internações. O dado revela que uma parcela expressiva da população está disposta a ingressar no sistema a partir de produtos segmentados, indicando espaço para formatos mais acessíveis como porta de entrada para a cobertura privada.

 

Esse interesse não é isolado. O levantamento mostra que 61% dos não beneficiários dizem que gostariam de ter um plano de saúde, o que reforça que a maioria da população atualmente fora da saúde suplementar não rejeita o conceito de plano, mas enfrenta limitações práticas – essencialmente financeiras – para aderir. Trata-se de uma demanda potencial relevante, que permanece reprimida diante das condições atuais de oferta.

 

Ao mesmo tempo, os resultados da pesquisa indicam que o preço e a falta de condições financeiras são os principais motivos para não ter um plano de saúde, tanto entre quem nunca foi beneficiário quanto entre aqueles que já tiveram cobertura no passado. A recorrência desse fator nas diferentes análises do estudo evidencia que o custo segue como o principal entrave ao acesso, especialmente em um contexto de renda pressionada e instabilidade no mercado de trabalho.

 

Apesar dessas restrições, a percepção de valor do plano de saúde permanece elevada. A pesquisa Vox Populi / IESS mostra que mais de 85% dos não beneficiários consideram que ter um plano de saúde é algo de grande importância, patamar que se mantém consistentemente alto ao longo dos anos. Essa combinação entre alta valorização e barreira econômica reforça a necessidade de repensar modelos de cobertura como parte da agenda de ampliação do acesso e de fortalecimento da sustentabilidade da saúde suplementar no Brasil.

Dezembro 2025
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O Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar chega à sua 15ª edição consolidado como o principal reconhecimento acadêmico do País dedicado à pesquisa sobre saúde suplementar. Promovido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o prêmio valoriza estudos desenvolvidos nas categorias Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde; Direito; e Economia, fortalecendo a produção de conhecimento baseado em evidências. Nesta edição, os vencedores de primeiro lugar em cada categoria receberam um Kindle. Puderam se inscrever pesquisadores e estudantes que produziram artigos científicos ou trabalhos de conclusão de cursos de pós-graduação (MBA, mestrado e doutorado).

 

Na categoria Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde, avaliada pelo Prof. Dr. Alberto Ogata, o primeiro lugar foi concedido a Luana Martins Oliveira (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG), pelo trabalho “Estratégia de influência: um estudo dos atos de concentração econômica realizados por hospitais e planos de saúde no Brasil”. A pesquisa analisou atos de concentração econômica aprovados pelo CADE entre 2014 e 2019 e identificou um processo relevante de consolidação do setor, com potenciais impactos sobre a equidade do sistema de saúde e a formulação de políticas públicas. O segundo lugar ficou com Ana Cláudia Couto de Abreu (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP), cujo estudo desenvolveu um modelo preditivo para eventos adversos graves não infecciosos em internações hospitalares, demonstrando que o risco depende não apenas do perfil clínico dos pacientes, mas também de características dos hospitais e dos municípios. A menção honrosa foi concedida a Anderson Almeida Ferreira (UFMG), pelo trabalho que avaliou o uso de grandes modelos de linguagem (LLMs) na sumarização de diálogos reais entre pacientes e equipes de saúde, com potencial aplicação na atenção primária digital, especialmente em cenários de alta demanda assistencial.

 

Na categoria Direito, avaliada pelo Prof. Dr. Dalton Tria Cusciano, o primeiro lugar foi concedido a Vinicius Machado Rodrigues Vianna (Fundação Getulio Vargas – Rio de Janeiro, FGV Direito Rio), pelo estudo “Deferência do STJ às escolhas regulatórias da ANS sobre coberturas assistenciais”. A pesquisa analisou decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e evidenciou heterogeneidade no grau de deferência às normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com impactos relevantes sobre a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória do setor. O segundo lugar ficou com Valquíria Ferreira de Faria (Universidade de Brasília – UnB), cujo trabalho analisou a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) como instrumento de resolução extrajudicial de conflitos entre beneficiários e operadoras, destacando sua contribuição para a redução da judicialização e para uma atuação regulatória mais eficiente.

 

Na categoria Economia, avaliada pelo Prof. Dr. Antonio Carlos Coelho Campino, o primeiro lugar foi concedido a Isamara Silva Cota (Universidade Presbiteriana Mackenzie), pelo trabalho que analisou práticas de gestão de riscos de subscrição em cooperativas médicas à luz da regulação da ANS, evidenciando avanços em governança, controles internos e mitigação de riscos regulatórios. O segundo lugar ficou com Vinicius Martins Castilho (Hospital Sírio-Libanês), cujo estudo avaliou os impactos clínicos e econômico-financeiros de modelos de gestão de saúde populacional baseados na Atenção Primária à Saúde (APS), indicando redução de custos e retorno positivo sobre o investimento.

 

Os trabalhos vencedores e as pesquisas reconhecidas nesta edição estão disponíveis para download no site do IESS, ampliando o acesso ao conhecimento científico produzido e reforçando o compromisso do Instituto com a disseminação de evidências qualificadas para o aprimoramento da saúde suplementar brasileira.

 

Ao completar 15 edições, o Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar reafirma o compromisso do IESS com a produção científica qualificada, essencial para fortalecer um sistema de saúde suplementar mais eficiente, sustentável e orientado por evidências no Brasil.

Julho 2025
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Estão abertas as inscrições para a 15ª edição do Prêmio IESS de Produção Científica em Saúde Suplementar, principal e mais tradicional iniciativa do gênero no País voltada à valorização de estudos acadêmicos com aplicabilidade no setor. Promovido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o prêmio é voltado a artigos científicos já publicados (ou aceitos para publicação) e trabalhos de conclusão de cursos de pós-graduação (especialização, MBA, mestrado ou doutorado), nas áreas de Economia, Direito e Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Gestão em Saúde.

 

“O Prêmio IESS é um reconhecimento àqueles que se dedicam a produzir conhecimento técnico relevante para os desafios reais do setor. Ao valorizar essas pesquisas, ajudamos a construir um sistema de saúde suplementar mais eficiente, sustentável e inovador”, afirma José Cechin, superintendente executivo do IESS.

As inscrições são gratuitas e foram prorrogadas para até 31 de outubro, exclusivamente pelo site www.iess.org.br, na aba Eventos > Prêmio IESS.

 

O primeiro colocado em cada categoria receberá um dispositivo Kindle 16GB, e todos os trabalhos premiados terão ampla divulgação nos canais oficiais do IESS, além de convite para submissão à Revista Brasileira de Saúde Suplementar (RBSS). A comissão julgadora poderá ainda conceder menções honrosas a outros trabalhos de destaque.

 

Entre os temas aceitos, estão: precificação e regulação de planos de saúde, impactos da tecnologia e envelhecimento populacional, sustentabilidade e ESG, governança, judicialização, inteligência artificial, promoção da saúde, gestão de desfechos, qualidade da assistência, entre outros — todos dentro do escopo da saúde suplementar.

 

Os trabalhos devem ter sido produzidos entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de agosto de 2025, e redigidos em língua portuguesa. Cada candidato poderá inscrever apenas um trabalho, e ele deve ser inédito em premiações. A divulgação dos vencedores será feita em dezembro de 2025, durante evento especial promovido pelo IESS.

 

“Ao longo de 15 edições, vimos pesquisas premiadas ganharem destaque em políticas públicas, decisões judiciais e até mesmo na gestão de operadoras. Isso mostra o quanto a ciência pode contribuir com impacto direto para a sociedade”, destaca Cechin.

 

O Prêmio IESS se consolida como a mais relevante iniciativa de estímulo à produção científica aplicada à saúde suplementar, reconhecendo pesquisas que aliam qualidade técnica, relevância prática e inovação.

Julho 2025
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Incorporar novas tecnologias à saúde é essencial para promover avanços no cuidado, melhorar desfechos clínicos e ampliar o acesso a tratamentos mais modernos. Isso é obviamente dizer mais do mesmo. Entretanto, para que se dê de forma responsável, é indispensável que o país conte com um sistema de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) transparente, previsível e tecnicamente robusto — sem perder de vista os limites orçamentários do sistema de saúde, público e privado.

 

No Brasil, o processo de ATS ainda enfrenta desafios estruturais. A ausência de um modelo único e consolidado, especialmente na saúde suplementar, gera incertezas para operadoras, prestadores e, principalmente, para os pacientes. Atualmente, diferentes entidades avaliam e recomendam tecnologias com critérios nem sempre alinhados, o que pode levar a decisões fragmentadas, judicializações e desigualdades no acesso.

 

Nesse contexto, a proposta de criação de uma Agência Nacional de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ANATS) — tema do mais recente estudo da série “Caminhos da Saúde Suplementar: Perspectivas 2035”, série produzida pelo IESS — surge como uma possível resposta à necessidade de aprimoramento institucional. A centralização do processo de ATS em uma agência única poderia promover maior coordenação entre os entes do sistema de saúde, além de fortalecer a capacidade técnica de análise, com base em evidências científicas e avaliações econômicas criteriosas.

 

“A criação de uma agência nacional pode oferecer um ponto de convergência técnico e político, reduzindo conflitos de competência e promovendo maior eficiência na incorporação de tecnologias”, destaca José Cechin, superintendente executivo do IESS.

 

Contudo, a incorporação de uma nova tecnologia não deve ser baseada apenas em sua eficácia clínica. Como bem demonstra nosso estudo, é preciso avaliar também se ela é custo-efetiva, se cabe no orçamento do sistema e se pode ser implementada de forma equânime. Em outras palavras, nem toda inovação pode ou deve ser imediatamente absorvida: é necessário equilibrar inovação e sustentabilidade.

 

Para Cechin, é fundamental que as decisões de incorporação considerem os impactos financeiros e a capacidade de oferta, sob pena de gerar promessas que o sistema não consegue cumprir.

 

Transparência é outro pilar central. Processos de ATS mais abertos, com ampla participação social, previsibilidade nos prazos e divulgação clara dos critérios utilizados nas decisões são fundamentais para fortalecer a confiança dos agentes do setor e da sociedade. Essa abertura pode contribuir, inclusive, para reduzir a judicialização, já que decisões fundamentadas e bem comunicadas tendem a ser mais respeitadas.

 

“Previsibilidade e transparência não são apenas desejos: são condições para um ambiente regulatório saudável e para a sustentabilidade do sistema de saúde”, afirma Cechin.

 

Por fim, é importante lembrar que a criação de uma agência única não é uma solução mágica. Ela precisa vir acompanhada de garantias de autonomia técnica, mecanismos de governança sólida e participação de todos os segmentos da saúde. Somente assim será possível construir um modelo de ATS capaz de assegurar o acesso à inovação com responsabilidade, eficiência e justiça. O desafio está posto — e o futuro da saúde suplementar passa, necessariamente, pela sua superação.

 

Nosso estudo pode ajudar bastante na compreensão desse tema, sobretudo com base em experiências internacionais. Clique aqui e acesse. 

Junho 2025
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Você confiaria seus dados médicos a um sistema digital único, acessível em qualquer lugar, sem ter que repetir tudo a cada consulta? Na Estônia, isso já é rotina. No Brasil, ainda parece obra de ficção científica — mas talvez não por muito tempo.

 

O nosso estudo sobre Open Health, parte da série Caminhos da Saúde Suplementar: Perspectivas 2035, mostra que essa iniciativa pode ser o ponto de virada para modernizar todo o sistema de saúde – público e suplementar – a partir de medidas eficientes, cortes de desperdícios, agilidade de autorizações e envolver o paciente no controle da sua jornada de cuidado – e isso implica em mais responsabilidades.

 

Para entender o potencial dessa transformação, basta olhar para quem já faz bem feito: a Estônia é referência mundial em governo digital e integração de dados de saúde. Com blockchain desde 2012, o país garante rastreabilidade de cada acesso ao prontuário eletrônico. Tudo é transparente: o cidadão sabe quem consultou suas informações, quando e com qual finalidade.

 

Além disso, a experiência estoniana prova que abrir dados de forma segura não significa expor informações sensíveis, mas sim aumentar a confiança na gestão pública. Lá, governo, profissionais de saúde e cidadãos enxergam a interoperabilidade como um direito básico, não uma ameaça.

 

No Brasil, alguns passos já foram dados: ConecteSUS, RNDS, estratégias de saúde digital até 2028 e pilotos com blockchain em Minas Gerais mostram que temos base para evoluir. Um ponto central que o Open Health viabiliza é permitir que a pessoa carregue, de forma detalhada e segura, seu histórico de saúde para onde for — seja atendida na rede pública ou na privada, sem ficar refém de prontuários perdidos ou informações fragmentadas.

 

Mas esse futuro só será possível quando de fato enfrentarmos e superarmos um gargalo da digitalização da saúde: a interoperabilidade. Hoje, sistemas diferentes não conversam entre si como deveriam — e isso mantém a experiência do paciente fragmentada, cara e ineficiente.

 

E não se trata de copiar modelos prontos. É sobre criar um Open Health com identidade brasileira, respeitando nossa legislação, diversidade regional e os princípios de solidariedade que sustentam o setor.

 

Adiar essa discussão custa caro: exames duplicados, autorizações lentas, diagnósticos imprecisos. Um Open Health bem estruturado é investimento em um sistema mais humano, ágil e sustentável.

 

Quer entender como isso pode funcionar? Leia o estudo, participe do debate, pressione por avanços. O futuro da saúde suplementar precisa ser construído agora.

 

Clique aqui e acesse o estudo completo.

Junho 2025
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É recorrente, entre famílias de portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a busca pelas chamadas “intervenções intensivas”, com 20, 30 ou até 40 horas semanais de terapias. Embora essas abordagens possam ser úteis em alguns casos, nosso estudo desenvolvido em parceria com a Genial Care alerta para o risco de uma prescrição padronizada e sem base individualizada. Caso queira saber mais, clique aqui e acesse nosso estudo.

 

Uma meta-análise publicada na revista JAMA Pediatrics em 2024, conduzida por Sandbank et al., apontou que a intensidade da intervenção, por si só, não se correlaciona de forma consistente com melhores resultados no desenvolvimento de crianças com TEA. O artigo pode ser acessado aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38913359/

 

Ou seja: mais horas não significam, necessariamente, mais progresso. A definição da “dosagem terapêutica” ideal precisa levar em conta fatores como o perfil da criança (considerando os distintos “graus” do transtorno), suas comorbidades, o tipo de terapia aplicada, o nível de suporte necessário e, claro, as características familiares. Nosso estudo chama a atenção: O excesso de sessões pode gerar sobrecarga emocional, comprometer o convívio familiar e afetar a adesão da própria criança ao tratamento.

 

Além disso, o custo dessas terapias intensivas é elevado, tanto para as operadoras quanto para as famílias — especialmente em um contexto de escassez de profissionais qualificados. Como mostra o estudo, os quadros mais complexos demandam maior carga horária e equipe multidisciplinar, elevando significativamente os custos.

 

A melhor terapia não é a mais longa, mas a mais adequada. Definir a carga horária com base em evidências e personalização é o caminho para promover resultados reais e sustentáveis. Essa é uma decisão que deve envolver médicos, terapeutas e famílias em diálogo, sempre com foco na qualidade da intervenção e no bem-estar da criança.